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Resumidamente

Loucura: existe? Do que se trata?

Loucura: existe? Do que se trata?

Loucura é um conceito um tanto ambíguo. É uma palavra que está nos lábios de todos para oferecer uma diagnóstico rápido e fácil dos comportamentos que parecem inadequados. Quando vemos que alguém tem comportamentos arriscados, muitos de nós podem pensar que ele é louco. O mesmo vale para aqueles que acabam com a vida dos outros. Mesmo assim, não é necessário ir tão longe, às vezes basta ver alguém vestido estranhamente para rotulá-la como louca.

Se perguntarmos um pouco sobre nós mesmos e os comentários dos outros, perceberemos que usamos a loucura para definir e explicar uma infinidade de comportamentos. Mas esse tipo de comportamento possui algum tipo de característica comum? É possível. A maioria deles sai do comum. E aqui entramos em terrenos pantanosos que podem levar dias e dias de debate com a simples questão de: o que é normal?

Conteúdo

  • 1 Loucura e normal
  • 2 Um novo horizonte em transtornos mentais
  • 3 Reflexão final sobre loucura

Loucura e normal

O normal pode ser abordado a partir de quatro critérios: biológico, social, estatístico e subjetivo. Do ponto de vista biológico, o normal seria o que segue as leis biológicas. No nível estatístico, é mais provável que o normal ocorra. Do ponto de vista social, seria aquele aceito pela maioria da sociedade. E, finalmente, no nível subjetivo, estaria relacionado ao que a pessoa acredita ou não que é normal.

Em muitas ocasiões, esse tipo de critério pode ajudar as profissões a identificar patologias e identificar anormalidades. Por exemplo, se tivermos uma alteração em nível biológico, isso poderá indicar que sofremos de alguma doença. Se, no nível social, mostramos um comportamento totalmente desordenado, pode estar relacionado a um distúrbio. Se, no nível estatístico, o comportamento de alguém não corresponder o mais provável possível, também poderá indicar a presença de algum transtorno mental.

No entanto, este é sempre o caso? Não necessariamente. Se seguirmos estritamente esses critérios, poderemos descrever como anormal tudo que não corresponde à norma. E o que acontece quando algo não corresponde ao esperado? O que geralmente é rotulado como louco. Em um nível social e estatístico, provavelmente, em um casamento, as pessoas se vestem com elegância. Mas se um convidado está vestido como um palhaço, um dos outros convidados pode pensar que ele é louco.

No nível social, os comportamentos criminosos também não são bem vistos, portanto, o diagnóstico rápido e fácil é pensar que aqueles que os praticam são loucos. De alguma forma, tudo o que ultrapassa as fronteiras do esperado, do provável ou do socialmente aceito, é descrito como anormal ou como loucura.

Um novo horizonte nos transtornos mentais

O que costumava ser loucura, agora pode ser esquizofrenia, transtorno bipolar, etc. Quer dizer, o conceito de loucura não tem mais nenhum uso em psicologia ou psiquiatria, porque tudo relacionado à mente foi ou está sendo investigado. O que costumava ser um fenômeno estranho e inexplicável, agora toma forma. Graças a isso, também estão sendo oferecidos tratamentos para desfrutar de uma vida mais funcional e estável.

Chegou a hora de começar a banir a palavra loucura do nosso dicionário mental, uma vez que é apenas um diagnóstico fácil e vago do que não entendemos. A pessoa que você viu de maneira estridente pode gostar desse tipo de roupa, querer atenção por falta de amor ou por qualquer outro motivo. Mas nem um nem o outro é sinônimo de loucura. Quando usamos o conceito de loucura para descrever alguém, estamos ignorando todo o seu histórico de aprendizado.

Assassinos em série, estupradores, agressores e todos aqueles que praticam atos criminosos também podem ocultar um distúrbio ou um histórico de aprendizado muito desorganizado. Deve-se esclarecer que o fato de um comportamento criminoso poder ser explicado pela psicologia não diminui sua gravidade. A psicologia explica, a justiça dita sentença.

Reflexão final sobre loucura

Como foi observado ao longo do artigo, o conceito "loucura", na realidade, é um diagnóstico que as pessoas fazem sobre o que não entendem. Assim, em vez de rejeitar o que é desconhecido para nós, se começarmos a investigar o conhecimento humano, entenderemos melhor os outros e a nós mesmos. Desta forma, quem não quer ir ao psicólogo porque defende não ficar louco, não tem desculpa.

Pode-se dizer que o ano de 1879 é um antes e um depois na explicação dos processos mentais. Wilhelm Wundt funda o primeiro laboratório de psicologia experimental em Liepzing (Alemanha) Assim, aparecem a figura do psicólogo e a primeira pesquisa científica no campo da psicologia. Este evento significou a arma de partida para uma miríade de teorias que estavam prestes a chegar sobre transtornos mentais. Ainda assim, mais de cem anos depois, ainda há um longo caminho a percorrer.

Bibliografia

Calero, M. e Navarro, E. (2015). Fundamentos da avaliação psicológica. Granada: Sider S.C.


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